Uma disputa pela administração do condomínio Chapada dos Buritis, em Várzea Grande (MT), evoluiu para um conflito judicial após denúncias de irregularidades na convocação de assembleia e até um abaixo‑assinado com finalidade distinta da informada aos signatários. O caso tramita na 1ª Vara Cível de Várzea Grande e envolve questionamentos sobre quórum, validade de ata e consequências administrativas para o condomínio.

O que foi relatado

Segundo relato de um morador à reportagem, uma condômina iniciou um movimento para a destituição do síndico em exercício. Para convocar assembleia com esse objetivo, as regras internas do condomínio exigem convocação pelo síndico ou por, no mínimo, um quarto dos proprietários. Na prática, a moradora teria recolhido assinaturas apresentando o abaixo‑assinado aos condôminos como se fosse para outra finalidade — um processo contra o DAE por problemas no abastecimento de água — quando, na verdade, o objetivo seria reunir assinaturas para convocar a assembleia de destituição.

Quórum e validade das assinaturas

Do total de 688 moradores do condomínio, a iniciativa teria alcançado 64 assinaturas válidas, abaixo das 172 exigidas para a convocação nesse modelo. Ainda de acordo com o relato, a convocação não teria sido direcionada a todos os condôminos, mas apenas aos moradores que apoiavam a proposta, o que compromete a publicidade e a legalidade do ato.

Assembleia, ata e ações judiciais

A assembleia ocorrida em 14 de abril teve sua ata registrada, mas há controvérsias quanto ao quórum e às formalidades de convocação. Moradores alegam que a destituição do síndico foi feita de forma irregular e levaram o caso ao Judiciário. A disputa resultou em decisões liminares conflitantes: há registro de liminar que determinou a assunção da nova gestão em razão da recusa do síndico destituído em promover a transição; por outro lado, também foram apresentadas medidas para suspender novas assembleias.

Medidas determinadas pela Justiça

O Judiciário chegou a determinar, de forma liminar, a entrega imediata da documentação contábil e financeira do condomínio, senhas e credenciais de acesso às contas bancárias, chaves, dispositivos de segurança e demais bens pertencentes ao condomínio. A medida visa garantir a regularização da administração e a transparência dos atos enquanto o processo está em curso. Uma audiência de conciliação foi agendada por videoconferência para o dia 22 de junho com o objetivo de buscar solução consensual.

Consequências administrativas e possíveis prejuízos

Em represália à contestação da atual gestão, a síndica que assumiu após a destituição teria desligado prestadores de serviços, como porteiros e vigilantes. A rescisão de contratos pode acarretar multas contratuais e gerar despesas extraordinárias ao condomínio. Além disso, a assessoria jurídica e a administradora, inicialmente convocadas para acompanhar a nova assembleia, teriam sido dispensadas, o que pode comprometer a legalidade e a segurança da governança condominial.

Como os condôminos podem se proteger

  • Exigir a publicidade adequada das convocações e verificar se o número de assinaturas corresponde ao quórum necessário previsto na convenção do condomínio.
  • Solicitar cópia da ata e conferir o registro em cartório quando aplicável.
  • Preservar documentos, provas e testemunhos sobre a forma como foram obtidas assinaturas (por exemplo, mensagens, gravações e declarações escritas).
  • Consultar assessoria jurídica especializada em direito condominial antes de promover ou concordar com mudanças na administração.

O escritório de Advocacia Juliana Morata, especializado em direito condominial e atuação online em todo o Brasil, pode orientar síndicos e condôminos sobre medidas preventivas e ações judiciais para preservar o patrimônio e a gestão regular do condomínio.

Pontos práticos para síndicos e conselhos

  1. Mantenha sempre atualizados e acessíveis os registros contábeis, financeiras e contratos.
  2. Estabeleça canais de comunicação oficiais e públicos para convocações (murais, e‑mail, aplicativos ou correspondência), conforme a convenção.
  3. Documente as tentativas de transição administrativa e formalize notificações extrajudiciais quando houver recusa de entrega de documentos.

Perguntas frequentes (FAQ)

Como se valida um abaixo‑assinado para convocação de assembleia?

A validade depende das exigências previstas na convenção do condomínio. É preciso checar se as assinaturas representam o número mínimo de proprietários exigido e se as assinaturas foram colhidas com informação precisa sobre o objetivo da convocação.

O que caracteriza convocação irregular de assembleia?

Convocação irregular ocorre quando não se respeitam prazos, meios de comunicação previstos na convenção, quórum ou quando há vício na informação oferecida aos signatários do abaixo‑assinado.

O condomínio pode ser responsabilizado por demissões feitas pela nova administração?

Se a rescisão foi efetuada sem justificativa ou contrariando cláusulas contratuais, o condomínio pode sofrer penalidades e multas previstas nos contratos, cabendo eventual ação de reembolso ou reparação.

Quando acionar a Justiça em disputas condominiais?

Acione a via judicial quando houver violação de formalidades essenciais (quórum, publicidade), retenção de documentos, ou prejuízo financeiro. Antes, recomenda‑se tentar conciliação e registrar provas documentais.

Conclusão

O caso do Chapada dos Buritis ilustra como irregularidades processuais — como abaixo‑assinado com finalidade oculta, quórum insuficiente e convocações parciais — podem gerar conflitos administrativos e prejuízos financeiros ao condomínio. A intervenção judicial buscou garantir a transparência da gestão ao determinar a entrega de documentos e bens do condomínio, e a audiência de conciliação é oportunidade para resolução consensual.

A Advocacia Juliana Morata, com especialização em direito condominial e ampla atuação em assessoria a condomínios, oferece orientação jurídica preventiva e contenciosa para síndicos, conselhos e condôminos em todo o Brasil. Se seu condomínio enfrenta situação semelhante, entre em contato para avaliação e defesa dos interesses coletivos.

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Fontes

abaixo-assinado fake síndico Várzea Grande