Na arrematação judicial, a jurisprudência do Superior Tribunal de Justiça considera o valor da arrematação como base de cálculo do ITBI, e não o valor da avaliação judicial. Esse ponto é especialmente importante na PNAJ porque o preço obtido em leilão pode ser significativamente inferior à avaliação usada no processo.

O ITBI é um imposto municipal. Por isso, alíquota, sistema de emissão da guia, documentos e procedimento administrativo variam conforme o município competente. Porém, o município não pode simplesmente ignorar a jurisprudência nacional e impor de forma automática uma base fictícia ou um “valor de referência” unilateral.

O Tema 1.113 do STJ estabeleceu, no regime geral do ITBI, que a base é o valor do imóvel transmitido em condições normais de mercado, que o valor declarado na transação possui presunção e que sua revisão exige procedimento administrativo próprio; para arrematação em hasta pública, o próprio STJ mantém jurisprudência específica de que a base corresponde ao valor alcançado na arrematação.

Para entender todas as despesas da compra, consulte Custos da PNAJ: quanto pagar além do valor do lance. Para conhecer a plataforma, veja o guia completo da PNAJ.

O que é o ITBI?

ITBI é o Imposto sobre Transmissão de Bens Imóveis por ato oneroso entre vivos.

A Constituição atribui aos municípios competência para instituí-lo, e o Código Tributário Nacional disciplina os elementos gerais do tributo.

Em uma arrematação imobiliária, a aquisição judicial do bem gera necessidade de tratar o imposto de transmissão antes do registro.

Não confunda ITBI com IPTU.

ITBI IPTU
Incide sobre transmissão onerosa imobiliária Incide periodicamente sobre propriedade imobiliária urbana
Relacionado à aquisição Relacionado à situação anual do imóvel
Base discutida conforme transmissão Possui base própria definida para tributação patrimonial

Quem cobra o ITBI de imóvel arrematado na PNAJ?

O município competente.

Por isso, a PNAJ não terá uma alíquota única nacional de ITBI.

Variam conforme a legislação local:

  • alíquota;
  • portal para emissão;
  • documentos;
  • formulário específico para arrematação judicial;
  • prazo;
  • procedimento de avaliação administrativa;
  • pedido de revisão;
  • restituição.

Antes do lance, pesquise a legislação do município do imóvel para estimar o custo.

Qual é a base de cálculo do ITBI em arrematação judicial?

Segundo jurisprudência reiterada do STJ, a base de cálculo do ITBI na arrematação judicial é o valor alcançado na hasta pública.

O fundamento é que a arrematação representa aquisição judicial do bem e o preço efetivamente alcançado corresponde ao valor da transmissão nessa modalidade.

O próprio STJ registra jurisprudência pacífica segundo a qual:

  • não se utiliza a avaliação judicial como base apenas por ela ser maior;
  • o preço da arrematação é a referência específica para a transmissão em hasta pública.

Esse entendimento foi reiterado em diversos precedentes e permanece referido pelo tribunal em julgados recentes.

A prefeitura pode calcular o ITBI sobre a avaliação judicial?

A simples existência de uma avaliação judicial maior não autoriza, por si só, substituir o valor da arrematação segundo a jurisprudência do STJ para hasta pública.

Exemplo:

  • avaliação judicial: R$ 800.000;
  • arrematação: R$ 480.000;
  • base defendida pela jurisprudência específica do STJ: R$ 480.000.

Uma prefeitura que emita guia automaticamente sobre R$ 800 mil pode gerar diferença relevante de imposto.

Isso não significa que todo conflito possa ser resolvido apenas alterando manualmente a guia. O comprador deve seguir o procedimento municipal de revisão ou, quando necessário, discutir a exigência pelos meios jurídicos adequados.

O que o Tema 1.113 do STJ diz sobre a base do ITBI?

O Tema Repetitivo 1.113 firmou três teses relevantes:

  1. a base do ITBI é o valor do imóvel transmitido em condições normais de mercado e não está vinculada à base do IPTU;
  2. o valor da transação declarado pelo contribuinte possui presunção de compatibilidade com o mercado, que pode ser afastada pelo fisco mediante processo administrativo próprio, com fundamento no art. 148 do CTN;
  3. o município não pode impor previamente uma base de cálculo usando valor de referência unilateral.

Para arrematação judicial existe ainda a linha jurisprudencial específica que reconhece o valor obtido na hasta pública como base.

Essa distinção é importante porque o leilão judicial não é uma compra e venda comum em ambiente de mercado convencional.

O valor venal usado no IPTU é o mínimo do ITBI?

Não.

O Tema 1.113 do STJ afirma expressamente que a base do ITBI não está vinculada à do IPTU e que esta última nem sequer pode ser utilizada como piso de tributação.

Exemplo:

  • valor venal para IPTU: R$ 600.000;
  • valor arrematado: R$ 450.000.

Não se pode concluir automaticamente que o ITBI deve ser calculado sobre R$ 600 mil apenas porque esse é o número cadastral do IPTU.

O município pode usar “valor venal de referência”?

O STJ rejeita a utilização de um valor de referência unilateral como base previamente arbitrada para todas as transmissões.

Isso não impede a fiscalização tributária.

Se houver elementos concretos para questionar o valor, o fisco pode instaurar procedimento próprio de arbitramento conforme o art. 148 do CTN, assegurando o procedimento administrativo adequado.

O que o Tema 1.113 impede é transformar uma tabela interna em base automática sem análise individual.

Qual é a alíquota do ITBI na PNAJ?

Depende do município.

Não existe percentual federal ou nacional único.

Para fazer orçamento:

  1. identifique o município do imóvel;
  2. acesse a legislação tributária local;
  3. confirme a alíquota vigente;
  4. verifique regra específica de arrematação;
  5. simule sobre o valor da arrematação;
  6. reserve margem caso haja discussão administrativa.

Não use a alíquota de São Paulo, Rio de Janeiro ou outra capital como padrão para imóvel em município diferente.

Quando o ITBI deve ser pago na arrematação?

Há uma particularidade importante entre o regime tributário e o fluxo processual.

O CPC estabelece, no art. 901, § 2º, que a carta de arrematação contenha prova de pagamento do imposto de transmissão.

Por isso, na prática da arrematação judicial, o comprador normalmente precisa resolver o ITBI antes de obter a carta completa para registro.

O procedimento concreto depende do município e do tribunal.

Não confunda essa exigência documental do CPC com uma autorização para o município escolher qualquer momento de cobrança em desacordo com o regime tributário aplicável.

Por que preciso do comprovante de ITBI para a carta?

Porque o art. 901, § 2º, inclui expressamente a prova do imposto de transmissão entre os elementos da carta.

A sequência comum é:

  1. auto de arrematação;
  2. definição dos dados da transmissão;
  3. emissão e pagamento da guia do ITBI;
  4. juntada da prova;
  5. expedição da carta;
  6. registro imobiliário.

Veja Carta de arrematação na PNAJ: emissão, documentos e registro.

Qual documento comprova o valor da arrematação para a prefeitura?

Dependendo do município, podem ser exigidos:

  • auto de arrematação;
  • decisão judicial;
  • edital;
  • comprovante de pagamento;
  • dados da matrícula;
  • documento do arrematante;
  • certidão do processo.

Use documentos oficiais do processo para demonstrar o preço alcançado.

Como funciona o ITBI em arrematação parcelada?

Não se deve presumir que a base seja apenas a entrada.

A aquisição foi realizada pelo preço total da proposta aceita, ainda que parte seja paga a prazo.

Exemplo:

  • preço total da arrematação: R$ 500.000;
  • entrada: R$ 125.000;
  • saldo parcelado: R$ 375.000.

O valor econômico da transmissão é o preço total arrematado, não apenas a parcela paga de imediato.

O procedimento de emissão deve ser confirmado com o município.

Comissão do leiloeiro entra na base do ITBI?

Em princípio, comissão do leiloeiro é despesa separada do preço do imóvel e não deve ser confundida com o valor da arrematação.

Exemplo:

  • lance: R$ 500.000;
  • comissão: R$ 25.000;
  • preço do bem: R$ 500.000;
  • custo total parcial do comprador: R$ 525.000.

A base tributária deve ser analisada conforme a legislação e jurisprudência, sem simplesmente somar todas as despesas da aquisição.

A prefeitura calculou ITBI acima do valor da arrematação. O que fazer?

Primeiro identifique por que o valor foi maior.

Pode ter sido utilizado:

  • valor venal do IPTU;
  • valor de referência;
  • avaliação judicial;
  • avaliação administrativa própria;
  • informação errada sobre o preço da arrematação.

Uma sequência prática:

  1. obtenha memória ou guia de cálculo;
  2. confira a legislação municipal;
  3. separe auto, edital e documentos do preço;
  4. cite a jurisprudência do STJ aplicável à arrematação;
  5. faça pedido administrativo de revisão quando disponível;
  6. avalie medida judicial se a exigência persistir e houver relevância econômica.

Não deixe a questão para depois de vencer um prazo essencial da carta ou do registro sem avaliar os riscos.

Devo pagar primeiro e discutir depois?

Não existe resposta universal.

As opções dependem de:

  • prazo para a carta;
  • prazo do registro;
  • valor discutido;
  • procedimento municipal;
  • possibilidade de emissão de guia revisada;
  • urgência para concluir a aquisição.

Em alguns casos, o contribuinte pode optar por pagar e depois buscar restituição; em outros, pode ser mais adequado questionar antes.

A decisão exige análise de custo, tempo e segurança jurídica.

Posso pedir restituição de ITBI pago a maior?

Em tese, tributo indevidamente pago ou pago em valor superior ao devido pode ser objeto de pedido de restituição, observados os requisitos e prazos tributários.

O procedimento pode ser:

  • administrativo;
  • judicial;
  • dependente de documentos específicos do município.

Guarde:

  • guia;
  • comprovante de pagamento;
  • auto;
  • carta;
  • matrícula;
  • cálculo comparativo;
  • decisão administrativa, se houver.

ITBI alto pode transformar um bom leilão em mau negócio?

Sim, especialmente se o investidor ignorar o imposto no lance máximo.

Exemplo:

  • valor arrematado: R$ 400.000;
  • alíquota hipotética: 3%;
  • ITBI estimado sobre a arrematação: R$ 12.000.

Se o município tentar cobrar sobre R$ 600 mil, a guia iria a R$ 18.000 no mesmo exemplo, diferença de R$ 6.000.

O exemplo é apenas matemático; a alíquota deve ser conferida no município.

Checklist do ITBI antes e depois do lance

Verificação Conferido?
Município identificado □
Alíquota vigente conferida □
Procedimento para arrematação pesquisado □
Valor da arrematação documentado □
Base usada na guia conferida □
Valor de IPTU não foi assumido como piso automático □
Valor de referência foi verificado □
Pedido de revisão conhecido □
Comprovante de pagamento salvo □
Prova juntada para a carta □

Conclusão

Na arrematação judicial, a base do ITBI deve ser analisada a partir do valor efetivamente obtido na hasta pública, conforme jurisprudência reiterada do STJ. Avaliação judicial, base do IPTU e valor de referência municipal não devem ser utilizados automaticamente para elevar a tributação.

Como o ITBI é municipal, o arrematante precisa conferir alíquota, formulário e procedimento local. Se a guia vier acima do valor juridicamente adequado, documente a arrematação e avalie a revisão administrativa ou judicial antes de aceitar a cobrança como definitiva.

Fontes jurídicas principais

Este conteúdo possui finalidade informativa. ITBI é tributo municipal e deve ser analisado conforme a legislação local, o procedimento administrativo e a jurisprudência aplicável ao caso concreto.

Perguntas frequentes sobre ITBI na PNAJ

1. Qual é a base do ITBI em arrematação judicial?

Segundo jurisprudência reiterada do STJ, a base é o valor obtido na arrematação em hasta pública.

2. A prefeitura pode usar a avaliação judicial?

A simples avaliação judicial maior não deve substituir automaticamente o preço da arrematação, conforme a jurisprudência específica do STJ.

3. O valor venal do IPTU é o mínimo do ITBI?

Não. O Tema 1.113 do STJ afirma que a base do ITBI não está vinculada à do IPTU e que ela não pode ser usada como piso.

4. O município pode usar valor de referência?

Não como base unilateral previamente imposta. Eventual revisão exige procedimento próprio nos termos do Tema 1.113 e do art. 148 do CTN.

5. Qual é a alíquota do ITBI na PNAJ?

A alíquota depende da legislação do município competente; não existe percentual nacional único.

6. Quem emite a guia?

O procedimento é municipal e pode variar. Consulte a prefeitura responsável pelo imóvel.

7. Preciso pagar ITBI antes da carta de arrematação?

O CPC exige que a carta contenha prova de pagamento do imposto de transmissão, por isso o tributo precisa ser solucionado antes da expedição completa do título.

8. O ITBI é calculado só sobre a entrada no parcelamento?

Não se deve usar apenas a entrada. A arrematação possui preço total, ainda que o saldo seja pago em parcelas.

9. A comissão do leiloeiro entra na base?

Em princípio, comissão é despesa separada do preço do bem e não deve ser confundida com o valor da arrematação.

10. O que fazer se a guia vier acima do valor arrematado?

Confira a base utilizada, a legislação municipal e avalie pedido administrativo de revisão com os documentos da arrematação.

11. Posso questionar a cobrança judicialmente?

Pode ser necessário quando a revisão administrativa não resolve a exigência e houver fundamento jurídico e relevância econômica.

12. Posso pagar e pedir restituição depois?

Em tese, pagamento indevido ou a maior pode ser objeto de restituição, observados procedimento, documentos e prazos tributários.

13. O Tema 1.113 eliminou a jurisprudência sobre arrematação?

Não. O STJ continua reconhecendo uma linha específica para hasta pública, em que o valor da arrematação é utilizado como base.

14. Devo calcular o ITBI antes de dar lance?

Sim. Mesmo sendo pago posteriormente, o imposto faz parte do custo total e deve entrar no seu lance máximo.