Moradores do Residencial Engenho Camarás Viver, em Camaragibe (Grande Recife), destituíram o síndico após a aprovação — segundo os condôminos, indevida — de uma obra cujo custo ultrapassaria R$ 2 milhões. O episódio, ocorrido em 28 de fevereiro de 2026, expõe conflitos comuns em condomínios de grande porte e levanta questões sobre transparência, quórum e governança condominial.

O que aconteceu

De acordo com relatos divulgados pelos moradores e repercutidos pela imprensa, a votação que resultou na perda do mandato do síndico Edimilson Moisés teve 90 votos a favor da destituição e apenas 3 contrários. O motivo central: a aprovação, afirmam os condôminos, de uma obra de pintura de fachada e reparos de infiltração sem autorização em assembleia regular.

  • Moradores notaram o problema quando a taxa de condomínio passou de R$ 238 para R$ 408, em razão de uma cobrança extra parcelada em 52 vezes.
  • Houve questionamentos sobre inconsistências no contrato, lentidão na execução e falta de transparência na documentação.
  • Com o não comparecimento do síndico em assembleia convocada para esclarecimentos, a decisão pela destituição, paralisação da obra e eleição de novo gestor foi tomada pelos presentes.

Versão do síndico

Procurado pela TV Globo, o síndico afirmou que “não procede a informação de falta de aprovação” e alegou que teriam ocorrido três assembleias relacionadas ao tema:

  1. primeira assembleia: aprovação da taxa extra com valor mínimo de R$ 100 por parcela, após pagamento de entrada;
  2. segunda assembleia: aprovação da execução da obra e da contratação da engenheira responsável pelo acompanhamento;
  3. terceira assembleia: escolha da empresa executora do serviço.

Edimilson também afirmou que todas as atas estariam disponíveis no portal e no aplicativo do condomínio e classificou a destituição como irregular, citando a participação de condôminos inadimplentes na votação e inconsistências na ata da assembleia.

Contexto do condomínio

O Residencial Engenho Camarás Viver é complexo de grande porte: 35 blocos e 560 apartamentos, inaugurado em 2017, localizado na Avenida Doutor Luiz Ignácio de Andrade Lima Neto, no bairro de Alberto Maia. Em condomínios com esse porte, decisões que impactam financeiramente uma ampla base de moradores exigem cuidados redobrados na comunicação e na documentação.

Implicações práticas e riscos observados

Do caso relatado emergem alguns riscos práticos que merecem atenção de síndicos, conselhos e condôminos:

  • Transparência documental: disponibilizar atas, contratos e orçamentos de forma acessível reduz desconfianças e contestações.
  • Comunicação prévia: explicações claras sobre a necessidade, escopo e impacto financeiro de obras ajudam a construir consenso.
  • Fiscalização da execução: contratação de profissionais e fiscalização independente pode evitar controvérsias sobre qualidade e ritmo da obra.
  • Registros e prazos: prazos de convocação e formalidades em assembleias costumam ser pontos de disputa quando há impugnações.

O que os moradores fizeram

Os condôminos convocaram assembleia, votaram pela destituição do síndico, pela paralisação da obra e pela eleição de um novo gestor. A celebração imediata por parte dos moradores — com aplausos e gritos de “glória” conforme vídeos divulgados — evidencia a dimensão do descontentamento diante do aumento repentino da taxa condominial e das alegadas falhas de gestão.

Como proceder em situações semelhantes

Para síndicos e moradores que enfrentam conflitos parecidos, recomenda-se adotar medidas práticas:

  • Solicitar e manter cópia de todas as atas e contratos relacionados à obra.
  • Registrar formalmente pedidos de informações e respostas (e-mails, notificações ou atas de assembleia).
  • Buscar assessoria jurídica especializada em direito condominial para avaliar regularidade de atos e as medidas cabíveis.

Se você faz parte de um condomínio e precisa de orientação, a Advocacia Juliana Morata oferece assessoria em direito condominial, incluindo análise de atas, regularidade de cobranças extraordinárias e apoio em assembleias.

FAQ

O que motivou a destituição do síndico no caso de Camaragibe?

Segundo moradores, a destituição foi motivada pela aprovação, sem autorização em assembleia regular, de uma obra de mais de R$ 2 milhões e pelo consequente aumento da taxa condominial.

O síndico afirmou ter realizado três assembleias — isso anula a destituição?

O síndico declarou que houve três assembleias relacionadas à taxa e à obra. A validade da destituição dependerá da verificação documental e, se necessário, de análise jurídica sobre a regularidade das votações e das atas.

O que fazer se sou morador e desconfio de irregularidades?

Recomenda-se reunir cópias de atas, contratos e comprovantes de cobrança e buscar orientação jurídica especializada para avaliar medidas administrativas ou judiciais. A Advocacia Juliana Morata atende questões condominiais em todo o Brasil.

Conclusão

O episódio no Residencial Engenho Camarás Viver ilustra como decisões de grande impacto financeiro podem gerar crises de governança quando falta transparência e participação clara dos condôminos. A disputa entre moradores e o síndico sobre a aprovação da obra e a regularidade das atas ainda pode resultar em impugnações e contestações formais.

A Advocacia Juliana Morata, especializada em direito condominial e direito imobiliário, pode auxiliar síndicos e condôminos na análise de atas, revisão de cobranças extraordinárias e providências em assembleias. O escritório atua de forma online em todo o Brasil e oferece assessoria técnica para evitar e resolver conflitos como o relatado.

Quer avaliar a situação do seu condomínio ou obter orientação sobre assembleias e cobrança de obras? Entre em contato com a Advocacia Juliana Morata para uma consultoria inicial.

Fontes

síndico destituído obra sem aprovação Camaragibe